Contos de Quase Morte

Contos de Quase Morte

4 de outubro de 2018 1 Por Caho Lopes

Contos Distópicos

Em 1939, um conflito militar global envolveu as maiores nações do mundo, que se organizaram em duas alianças militares opostas: os Aliados (Estados Unidos, União Soviética, Inglaterra e França) e o Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Em busca da vitória, os principais envolvidos dedicaram toda sua capacidade econômica, científica e especialmente industrial aos esforços de guerra, abandonando a distinção entre recursos civis e militares.

A medida que o terror e a carnificina avançavam, novas fronteiras eram traçadas e países eram anexados por seus conquistadores, levando à criação de grupos nacionalistas chamados de Resistência. Engrossadas por cidadãos descontentes com os regimes autoritários de seus próprios países, em especial na Itália e Alemanha, eram grupos fortemente armados baseados em estratégias de guerrilha. Em 28 de abril de 1945, um grupo de partigianis da Resistência Italiana mata a tiros Benito Mussolini, líder italiano. Alessandro Pavolini, homem de confiança de Il Duce e defensor radical do uso de armas nucleares no conflito, escapa ileso e assume em seu lugar.

Alguns anos antes, os Estados Unidos desenvolviam em segredo a maior arma de destruição em massa já criada pelo homem, a bomba atômica. Conhecido como Projeto Manhattan e contando com a colaboração do Canadá e Inglaterra, era dirigido pelo major general Leslie Groves. Infiltrado entre os homens de confiança de Leslie, Richard Stuart repassou importantes informações para a inteligência italiana. Richard foi importante também nas diversas sabotagens ocorridas no Projeto Manhattan, disfarçadas como falhas nos equipamentos ou negligência de funcionários descuidados.

Em 18 de julho de 1945, a Luftwaffe lança o artefato nuclear italiano (conhecida como “Piacere”) sobre Londres, matando mais de 100 mil pessoas. Em 06 de agosto, os Estados Unidos lançam uma bomba de fissão de urânio (conhecida como “Little Boy”) sobre Hiroshima, no Japão, causando 60 mil mortes. Três dias depois, um avião americano carregando um artefato nuclear é abatido a caminho da União Soviética.

Adolf Hitler propõe um momento de trégua para a criação de uma Comissão Internacional de Energia Atômica em dezembro de 1945, buscando evitar o holocausto nuclear para o qual as superpotências estavam marchando. Apesar da esperança que este fosse o primeiro passo para o fim do conflito, o assassinato do imperador Hiroito em 18 de abril de 1946 reacende a chama da guerra.

Em 1949, quebrando o acordo assinado alguns anos antes, a União Soviética faz o seu primeiro teste nuclear, chamado de “Primeiro Relâmpago”. As relações com os Estados Unidos ficam tensas, mas os Aliados prosseguem em seus esforços de guerra para derrotar os países do Eixo, que já dominam quase toda a Europa.

Josef Stalin, líder soviético, morre em 05 de março de 1953. Geórgiy Malenkov torna-­‐se o novo secretário-­‐geral do Partido Comunista da União Soviética. Dois anos depois, lidera a assinatura de um Tratado de Paz, colocando fim a uma guerra que durou 16 anos e matou mais de 800 milhões de pessoas no mundo inteiro, em sua grande maioria civis.

Apesar do fim da guerra, o mundo está imerso em uma grande instabilidade. Grandes blocos redesenharam o mapa político e ideológico, divididos entre a União Soviética, Estados Unidos e o Eixo. A Europa oscilante entre o fascismo e o nazismo é uma terra devastada pelo conflito. A África foi fatiada na assinatura do Tratado de Paz, exterminando as diferenças tribais e étnicas com um golpe de caneta. As Américas do Sul e Central estão ocupadas por ditadores locais, marionetes de um ou outro grupo.

Neste mundo cinzento e fumegante, apenas as grandes indústrias floresceram. E nos anos seguintes, seu poderio econômico aliado as estratégias aprendidas durante a guerra transformariam completamente o nosso modo de vida.

Agora, o ano é 2021…

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